quarta-feira, 6 de julho de 2011

Promiscuidade tecelã

Oi, meu nome é Dora e eu sou viciada em fazer tricô, como se eu já não tivesse muito mais o que fazer.

Entrei numa loja ontem e comprei 5 novelos. Já tenho 4 agulhas (3; 4,5; 7 e 8). Semana passada, em apenas uma noite, fiz 2 cachecóis com pompom pra uma colega. Cores lindas (um era branco, azulado, gelo e petróleo e o outro era magenta, lilás, roxo médio e escuro). Ficou bonito o trabalho. Ela quem comprou os novelos pra eu fazer. Nunca tinha tricotado com pompom, no começo é difícil mas depois a coisa engata (e não pára mais).

Mas hoje eu comprei cinco novelos porque na verdade pensei nas minhas amigas. Ainda só faço cachecóis. Queria ter a ousadia de fazer uma colcha inteira, mas esse seria um projeto mais a longo prazo... Comprei 2 novelos pra mim: um roxo (com vários tons de roxo, lilás, roxo escuro, bonito, baratinho, termino acho que amanhã ou depois) e outro azul bebê de fio nuage, que não sei muito bem o que fazer ainda (só comprei porque estava barato e por causa da cor).

As amigas. Saru me falou que "qualquer cor eu vou gostar". Marlany foi mais objetiva e falou "gosto de verde, desde que não seja verde limão, nem verde bandeira, pode ser verde musgo, um verde mais militar". O verde musgo foi fácil achar, mas na hora não me toquei do tipo de linha que tinha comprado: super fininha, com uns gominhos, é bonita até, mas vai dar um trabalhinho com a agulha 3 (mas é justamente o trabalho é que é a graça da coisa toda).

Pra Saru pensei imediatamente em vermelho, mas não vermelho tomate, um vermelho mais sóbrio, cereja. Comprei um fio com pompom, em vermelho, salmão, cor de terra e marrom (vai ficar lindo com a cor da pele dela). O fio é a coisa mais linda, só preciso descobrir em qual agulha vou encaixá-lo. E ainda teve um novelo que comprei não sei exatamente porque. É um que é de pompom, branco com bolinhas pretas bem delicadinhas. Achei fofo e levei, mas ainda não mexi nele.

Mas quando cheguei em casa foi um troca-troca de agulhas e linhas e testes e costura, desfaz, testa, dá errado, até que algum dá certo e vai engatando. E aí eu fico com vários trabalhos pela metade e vou concluindo eles de acordo com o meu humor (ou a falta dele). Enjôo de um, pego outro, inicio um, desfaço, faço mais um pouco de outro, inicio em outra agulha, ou mudo de linha e assim vai indo. Acho que na verdade isso tudo faz um pouco de falta na minha vida e preenche sérias lacunas.

Aprender a começar, aprender a falhar (aprender a reconhecer que está falhando), aprender a desfazer (mesmo que dê uma certa dó), aprender a reutilizar, a arrematar alguma coisa quando dá errado, quando se perde um ponto por exemplo. A manufatura também me faz observar outras coisas com mais atenção como as cores, as personalidades, os pontos mais soltos, pensar no que fazer, pensar em presentear, fazer sobre medida, fazer para quem gosto e em ter uma certa dedicação, embora seja desleixada, sem cobranças, sem erros irremediáveis, como se eu estivesse sempre aprendendo. Nada que não possa ser desfeito e feito de novo.



Tem sido muito divertido.


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